| As recentes epidemias de febre hemorrágica por vírus Ebola, no Zaire e
no Gabão, fizeram lembrar que infecções perigosas podem ser importadas para
a Europa, muito rapidamente.
As reuniões, organizadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS) em 1993
e 1994 (1,2), sobre patogénios emergentes e re-emergentes, focaram-se
nos problemas dos arbovirus e vírus das febres hemorrágicas e na necessidade
de formar uma rede mundial para a troca de informação, reagentes e metodologias.
Em cinco reuniões, os cientistas de laboratórios, que trabalham na área
de diagnósticos de doenças virais "importadas", do Reino Unido,
Suécia, França, Grécia, Espanha, Dinamarca, Holanda, Bélgica, Portugal,
Finlândia, Itália e Alemanha, iniciaram a construção de uma rede para
melhorar o diagnóstico de infecções virais "importadas". Actualmente,
a iniciativa está a ser mantida por membros de quase todos os países da
União Europeia (UE). Foi elaborado um manifesto com o sumário das tarefas
da rede que foi assinado por cada participante e sua instituição:
1. Construir uma rede de laboratórios europeus que trabalham na área
de diagnóstico de infecções virais "importadas", raras ou emergentes.
Disponibilizar ajuda mútua na troca de amostras de diagnóstico, i.e.,
soro, vírus, métodos e informação, de forma a melhorar os diagnósticos.
2. Identificar as infecções virais de importação mais provável, coordenar
a definição dos objectivos e identificar os laboratórios com capacidade
e disponibilidade para efectuar diagnósticos rápidos (<24h) de casos
agudos, suspeitos de estarem infectados com vírus de febres hemorrágicas.
3. Elaborar recomendações para normalização e controlo de qualidade nos
laboratórios envolvidos no diagnóstico destas doenças.
4. Identificar e realizar testes padrão segundo critérios de controlo
de qualidade definidos.
5. Optimizar os recursos limitados através da troca de reagentes, metodologias
e peritagem.
6. Encorajar o contacto regular no seio da rede, através de reuniões,
permuta e formação do pessoal de laboratório.
7. Abrir a rede a membros de outros laboratórios europeus.
8. Organizar e coordenar as actividades internacionais com o "Grupo
de redes de vigilância", o "Grupo de trabalho sobre vacinas
e doenças virais" e outras organizações nacionais como os Centers
for Disease Control and Prevention ou organizações internacionais
como a OMS e a Organização Pan Americana de Saúde
Os primeiros trabalhos da rede consistiram em estabelecer grupos de trabalho
para as encefalites por carraças, infecções por hantavirus e dengue e
iniciar a avaliação interna dos testes para hantavirus e dengue, com os
laboratórios peritos da UE. Foi preparado um plano de acção para o diagnóstico
de casos suspeitos de febre hemorrágica por vírus Ebola. A colaboração
oferece a possibilidade de criar uma rede operacional de diagnóstico de
doenças virais, de forma a cobrir o largo espectro de problemas que podem
surgir na Europa. Podem ser definidas tarefas de interesse regional e
internacional, com um laboratório a assegurá-las para todos os seus parceiros
da rede. A longo prazo, esta iniciativa oferece a oportunidade de aumentar
a consciência, de instituições médicas responsáveis nos países da UE,
para o problema das doenças virais emergentes e re-emergentes. Com a criação
destas actividades de vigilância, seremos capazes, no futuro, de melhor
reconhecer e responder a estas infecções ameaçadoras.
Nota
Pessoas a trabalhar nesta área, noutros países europeus, são bem vindos
a participar. Para mais informações e contactos ver: http://www2.rki.de/INFEKT/ENIVD/ENIVD_P.HTM
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