| Introdução
Apesar da aplicação universal das técnicas de inactivação viral e de
eliminação dos vírus durante a preparação de produtos derivados de plasma
(1,2), a exclusão de doações infectadas, antes de qualquer outro procedimento
ou teste, continua a ser a etapa essencial à segurança dos derivados do
plasma e a principal determinante na segurança dos componentes do sangue
não tratados. As técnicas de selecção e de rastreio actuais reduziram
o risco de transmissão viral para níveis muito baixos, embora persista
um baixíssimo mas quantificável risco de transmissão por doações que escapam
à detecção de rotina, em particular, durante o período de janela
da seroconversão duma infecção num dador de sangue, quer dizer, durante
o período em que o dador recentemente infectado não desenvolveu, ainda,
resposta imunológica (3,5). A magnitude dos riscos residuais, que devem
ser tão reduzidos quanto possível, é condicionada, principalmente, pelas
taxas das infecções relevantes (VIH e hepatite B (VBH) e C (VCH)) no sangue
e plasma dos dadores. Apesar das estratégias de redução do risco serem
desenhadas para recrutar dadores em populações de baixo risco e para excluir
os dadores individuais que apresentem factores de risco, a efectividade
de tais políticas não tem sido, até agora, nem sistematicamente monitorizada
nem objecto de notificação normalizada. A necessidade de tais sistemas
é também sublinhada pela observação de que os vírus emergentes e ainda
mal conhecidos são muitas vezes disseminados, na população, por indivíduos
de alto risco (6). Na Europa, as organizações de fraccionamento de plasma,
com fins não lucrativos(1),pensam que o estudo e recolha normalizada
de dados epidemiológicos é um assunto chave para a saúde pública. Assim,
sob a égide da Associação Europeia para o Fraccionamento do Plasma (AEFP),
essas organizações trabalham, actualmente, num programa de vigilância
para o controlo e notificação de dados a partir dos seus dadores, não
remunerados, de sangue e plasma. Este artigo apresenta os resultados dum
estudo retrospectivo cujo objectivo foi fornecer uma visão global dos
resultados do rastreio dos dadores, de 1990 a 1996.
Métodos
Colheita dos dados
Os dados sobre os resultados do rastreio de rotina de marcadores de infecção
em doações não remuneradas de sangue e plasma, na Europa, foram recolhidos,
retrospectivamente, a partir das organizações membros da AEFP na Bélgica,
Dinamarca, Finlândia, França, Alemanha, Holanda, Suíça, e Reino Unido.
Uma vez que o número de organizações aumentou ao longo dos anos, o total
da população dadora não foi sempre o mesmo durante os estudo. Os dados
declarados cobriram quase todas as doações não remuneradas nos diferentes
países (excepção feita à Alemanha, cujos dados cobriram apenas a Baixa
Saxónia e a Westfalia Reniana do Norte); a maior parte das doações foram
de sangue total. Os resultados representam a recolha e teste de anticorpos
para o VIH-1 e 2 (anti-VIH-1 e 2), antigénio de superfície da hepatite
B (AgHBs) e anticorpo para VCH (anti-VCH), de vários milhões de doações,
de dadores de primeira vez e de repetição, feitas anualmente de 1990 a
1996. O número de dadores de primeira vez incluiu todos os potenciais
dadores que foram testados pela primeira vez para estes marcadores virais
e deveria reflectir a prevalência dos marcadores virais na população recrutada
para doação. Os dados sobre doações de repetição incluíam todas as doações
de dadores de repetição. Os dados sobre doações positivas que poderiam
ser fornecidos retrospectivamente nem sempre continham resultados claros
dos testes de confirmação, mas as amostras eram, pelo menos, repetidamente
reactivas nos testes de rastreio. Os dados declarados podem, no entanto,
sobrestimar a taxa de verdadeiras doações positivas.
Análise estatística
Os dados de doações de primeira vez e doações de repetição foram analisados
separadamente.
Taxas ponderadas dos marcadores: a fim de fornecer uma visão conjunto
da ocorrência dos marcadores virais no população dadora, as taxas de marcadores
correspondentes às diferentes organizações participantes foram agrupadas
e ponderadas segundo o peso recíproco dos intervalos de confiança exactos
a 95%, utilizando a taxas de doações positivas e o número total de doações
(7). Este cálculo leva em conta o facto de que os organizações participantes
representam números diferentes de dadores e que os dados obtidos de pequenas
populações (sobretudo se as taxas de marcadores forem baixas) estão sujeitos
a maiores erros. Para medir tendências significativas das taxas ponderadas
de marcadores virais ao longo do tempo, os dados foram analisados por
regressão linear.
Taxas das diferentes organizações: as taxas de marcadores virais em cada
organização participante foram expressas como taxas anuais mínima, máxima
e mediana. Uma análise mais detalhada foi realizada para determinar se
as tendências calculadas com as taxas ponderadas de marcadores virais
eram comuns à maioria dos organizações ou provenientes de algumas organizações
que representavam uma grande proporção da população de dadores.
Além do mais, os valores médios das taxas dos marcadores virais para
cada organização (não ponderadas) foram calculados e analisados por regressão
linear.
Resultados
Anti-VIH 1 + 2
Taxas ponderadas dos marcadores: as taxas ponderadas de marcadores, que
reflectem as taxas correspondentes às doações positivas na população total
de dadores, diminuiu de forma significativa, desde 1990. As taxas calculadas
a partir das doações de repetição foram cerca de 10 vezes inferiores às
das doações de dadores de primeira vez (quadro 1).
Table 1: Rates of anti-HIV 1 + 2 positive donations
|
First time donations: anti-HIV 1 + 2 positives
|
|
Year
|
Pooled data, weighted (positive per
100 000)
|
Rates found in individual organisations (positive per
100 000)
|
Total number of donations x 106 (No
of participating organisations)
|
|
|
Minimum - Maximum
|
Median
|
|
|
1990
|
11.52
|
2.7-46.7
|
4.90
|
1.1 (7)
|
|
1991
|
7.12
|
1.2-37.8
|
3.35
|
1.2 (8)
|
|
1992
|
8.12
|
2.6-27.3
|
5.55
|
1.1 (8)
|
|
1993
|
5.31
|
0.0-18.9
|
2.80
|
1.1 (8)
|
|
1994
|
3.89
|
0.0-15.0
|
2.30
|
1.1 (10)
|
|
1995
|
4.12
|
0.0-10.2
|
4.80
|
1.4 (10)
|
|
1996
|
4.56
|
0.0-12.2
|
3.65
|
1.1 (10)
|
|
Repeat donations: anti-HIV 1 + 2 positives
|
|
Year
|
Pooled data, weighted (positive per
100 000)
|
Rates found in individual organisations (positive
per
100 000)
|
Total number of donations x 106 (No
of participating organisations)
|
|
|
Minimum - Maximum
|
Median
|
|
|
1990
|
1.20
|
0.3-4.4
|
0.60
|
7.25 (7)
|
|
1991
|
1.09
|
0.3-3.1
|
0.80
|
7.7 (8)
|
|
1992
|
1.22
|
0.5-2.9
|
1.15
|
7.6 (8)
|
|
1993
|
0.66
|
0.0-2.3
|
0.75
|
7.4 (8)
|
|
1994
|
0.51
|
0.0-2.2
|
0.40
|
7.7 (9)
|
|
1995
|
0.51
|
0.0-1.3
|
0.75
|
8.7 (10)
|
|
1996
|
0.56
|
0.0-1.3
|
0.60
|
8.7 (10)
|
Taxas nas organizações individuais: Variações importantes foram observadas
nas taxas de marcadores virais, das doações de primeira vez e doações
de repetição, entre os organizações participantes (quadro 1). As taxas
dos marcadores declinam, particularmente, nas organizações que se apresentaram
inicialmente, em 1990, com elevadas taxas de marcadores (dados não apresentados).
Estas organizações representaram uma larga percentagem da população dadora
total e, por isso, foram a principal causa da tendência decrescente verificada
nas taxas ponderadas de marcadores (ver acima). Isto foi também ilustrado
pelas taxas medianas que permaneceram estáveis e baixas ao longo dos anos.
(quadro 1). Por outro lado, as taxas anti-VIH médias decresceram ligeira
mas significativamente com o tempo (dados não apresentados). Além disso,
a variação das taxas dos marcadores tornou-se mais pequena ano após ano:
em 1990 as taxas de marcadores nas doações de primeira vez variaram entre
2,7 e 46,7 por 100 000, comparadas com 0,0 e 12,2/100000 em 1996. Nas
doações de repetição as taxas variaram entre 0,3 e 4,4/100000 em 1990
e entre 0,0 e 1,3/100 000 em 1996. Considerando o conjunto, estes factos
indicam uma tendência comum para a estabilização numa baixa taxa de positividade
anti - VIH, nas doações de primeira vez e de repetição, entre as organizações.
Anti-VCH
Taxas ponderadas de marcadores: Foram obtidos resultados do rastreio
anti-VCH, de 1991 a 1996. As taxas ponderadas, de doações positivas de
primeira vez e de repetição, decresceram significativamente, tendência
esta que foi substancialmente, mais acentuada nas doações de repetição
do que nas de primeira vez (quadro 2). Consequentemente, a diferença entre
as taxas de marcadores de doações de primeira vez e de repetição, tornou-se
maior com o tempo: a taxa de anti-VCH, em doações de repetição, foi 3,3
vezes mais baixa do que nas doações de primeira vez, em 1990 e 22,6 vezes
mais baixa em 1996.
Table 2: Rates of anti-HCV positive donations
|
First time donations: anti-HCV positives
|
|
Year
|
Pooled data, weighted (positive per
100 000)
|
Rates found in individual organisations (positive per
100 000)
|
Total number of donations x 106 (No
of participating organisations)
|
|
|
Minimum - Maximum
|
Median
|
|
|
1991
|
152.54
|
58.7-368.0
|
91.20
|
1.1 (6)
|
|
1992
|
160.19
|
56.0-483.0
|
97.50
|
1 (6)
|
|
1993
|
124.07
|
50.0-327.0
|
90.80
|
1.05 (7)
|
|
1994
|
98.84
|
32.7-282.0
|
70.20
|
1.1 (9)
|
|
1995
|
108.41
|
31.4-223.0
|
96.50
|
1.4 (10)
|
|
1996
|
87.95
|
24.2-207.3
|
92.85
|
1.1 (10)
|
|
Repeat donations: anti-HCV positives
|
|
Year
|
Pooled data, weighted (positive per
100 000)
|
Rates found in individual organisations (positive
per
100 000)
|
Total number of donations x 106 (No
of participating organisations)
|
|
|
Minimum - Maximum
|
Median
|
|
|
1991
|
45.63
|
13.4-111.0
|
39.50
|
6.95 (6)
|
|
1992
|
32.67
|
8.6-73.0
|
29.10
|
6.8 (6)
|
|
1993
|
12.99
|
3.4-31.0
|
13.60
|
7.0 (7)
|
|
1994
|
8.45
|
0.8-120.0
|
10.30
|
7.7 (9)
|
|
1995
|
5.71
|
0.4-32.1
|
7.65
|
8.7 (10)
|
|
1996
|
3.9
|
0.2-32.0
|
5.05
|
8.7 (10)
|
Taxas nas organizações individuais: as taxas de marcadores nos dadores
de primeira vez decresceu particularmente, nas organizações que apresentaram
elevadas taxas de marcadores em 1991 (dados não apresentados). A maior
parte das organizações referiu baixas taxas de anti-VCH nos dadores de
primeira vez, durante os últimos anos. Os valores medianos (quadro 2)
e médios (dados não apresentados), que permaneceram estáveis ao longo
do tempo (quadro 2), também reflectem este facto. Assim, o decréscimo,
em declive, das taxas ponderadas nos dadores de primeira vez não reflectiu
a tendência de todas as organizações que tomaram parte no estudo, mas
foi causado pelos resultados de um pequeno número de organizações. Ao
contrário do que ocorreu nas doações de primeira vez, observaram-se, nas
doações de repetição, decréscimos significativos nas taxas de marcadores
anti-VCH, não só para os dados ponderados mas também para os não ponderados
(valores médios), mostrando que a tendência para baixas as taxas de marcadores
nas doações de repetição esteve presente nos resultados de todas as organizações.
Deve ser notado que os testes de rastreio eram menos sensíveis no início
do estudo, o que, presumivelmente, resultou numa subestimativa das verdadeiras
taxas de marcadores. Duas novas gerações de imunoensaios enzimáticos anti-VCH,
que eram mais sensíveis na detecção de infecções crónicas, foram introduzidos
em 1992 e em 1993/1994 (a última geração sendo apenas ligeiramente mais
sensível do que a precedente (8). Por outro lado, assumiu-se que os dados
sobre VCH, recolhidos entre 1991 e 1993, contêm uma taxa de falsos positivos
mais elevada, sobrestimando-se a verdadeira taxa, uma vez que os testes
de confirmação não estavam disponíveis antes de 1993. Foi, portanto, impossível
tirar conclusões precisas dos dados recolhidos antes de 1994. Contudo,
as tendências para baixar as taxas anti-VCH foram também evidentes nos
anos posteriores a 1993, em particular nas doações de repetição (quadro
2). Em conclusão, foi observada uma clara tendência decrescente nas taxas
de marcadores nas doações de repetição, em todas as organizações.
AgHBs
Taxas ponderadas de marcadores: uma análise de regressão linear mostrou
que as taxas ponderadas de marcadores virais, entre 1990 e 1996, decresceram
ligeiramente, quer nas doações de primeira vez quer nas de repetição.
Taxas nas organizações individuais: os resultados do rastreio de AgHBs
apresentaram maiores variações do que os de outros marcadores virais,
porque uma organização (que só pôde fornecer dados de 1994 a 1996) referiu
taxas muito mais elevadas do que as outras organizações (ver igualmente
o valor máximo das taxas de AgHBs nas doações de repetição, de 1994 a
1996 - quadro 3). Uma outra organização apresentou inicialmente, em 1990,
elevadas taxas de AgHBs que foram diminuindo, marcadamente, ao longo do
tempo (dados não apresentados). A maior parte das outras organizações
referiu taxas estáveis, mais baixas, o que também pode ser observado através
dos valores medianos: estes variaram entre 74 e 104/100 000 nas doações
de primeira vez e entre 0,8 e 1,8/100 000 para o global das doações de
repetição. No conjunto, as taxas de AgHBs nas doações de primeira vez
e nas doações de repetição foram estáveis ou decresceram ao longo do tempo,
Table 3: Rates of HBsAg positive donations
|
First time donations: HBs Ag positives
|
|
Year
|
Pooled data, weighted (positive per
100 000)
|
Rates found in individual organisations (positive per
100 000)
|
Total number of donations x 106 (No
of participating organisations)
|
|
|
Minimum - Maximum
|
Median
|
|
|
1990
|
135.86
|
33.0-331.0
|
89.35
|
0.8 (6)
|
|
1991
|
107.77
|
17.0-284.0
|
87.60
|
0.8 (6)
|
|
1992
|
112.83
|
34.0-260.0
|
73.05
|
0.8 (6)
|
|
1993
|
116.63
|
23.8-238.0
|
104.05
|
0.8 (6)
|
|
1994
|
99.54
|
25.3-201.0
|
102.00
|
0.8 (8)
|
|
1995
|
79.75
|
17.0-331.0
|
102.00
|
1.1 (9)
|
|
1996
|
73.99
|
7.9-380.0
|
72.05
|
1.1 (10)
|
|
Repeat donations: HBs Ag positives
|
|
Year
|
Pooled data, weighted (positive per
100 000)
|
Rates found in individual organisations (positive
per
100 000)
|
Total number of donations x 106 (No
of participating organisations)
|
|
|
Minimum - Maximum
|
Median
|
|
|
1990
|
3.88
|
0.0-32.4
|
0.80
|
4.9 (5)
|
|
1991
|
4.1
|
1.0-14.5
|
1.70
|
5 (5)
|
|
1992
|
3.11
|
0.5-12.2
|
1.70
|
4.8 (5)
|
|
1993
|
1.91
|
0.0-10.7
|
1.80
|
4.8 (6)
|
|
1994
|
2.58
|
0.6-66.5
|
0.90
|
5.5 (8)
|
|
1995
|
2.64
|
0.4-40.0
|
1.70
|
6.5 (9)
|
|
1996
|
1.66
|
0.2-40
|
0.95
|
8.7 (10)
|
Discussão
Apresentámos dados sobre as taxas de marcadores de infecção de mais de
50 milhões de doações não remuneradas de sangue e plasma, na Europa, entre
1990 e 1996. As taxas de marcadores nas doações de primeira vez sugerem
que a prevalência de anti-VIH, anti-VCH e AgHBs, na população dadora recrutada
para doação, foi estável ou decresceu ao longo do tempo.
Nas doações de repetição, observou-se uma tendência geral decrescente,
ao longo do tempo, nas taxas de marcadores anti-VIH e AgHBs, que foi menos
pronunciada para as taxas de AgHBs. Durante o estudo, o decréscimo mais
acentuado das taxas de positividade, foi observado nas taxas de anti-VCH,
que foi importante em todas as organizações participantes. Este resultado
pode indicar que a efectividade das estratégias de selecção de dadores,
em relação ao HCV, melhorou em todas as organizações.
Num estudo recente, do Centro Europeu para a Vigilância Epidemiológica
da SIDA, verificou-se um decréscimo das taxas de anticorpos anti-VIH nos
dadores de sangue da União Europeia, durante o mesmo período de observação
que o do estudo do AEFP (9). As taxas de anti-VIH em doações de repetição
foram cerca de 11 vezes mais baixas do que nas doações de primeira vez.
Estas observações são consistentes com os nossos resultados. A comparação
directa das taxas de marcadores virais das doações da AEFP com outros
estudos (10,11) é difícil, porque não há uniformidade internacional na
forma de recolha e apresentação dos dados. Deve ser salientado que as
taxas apresentadas para as doações de repetição não representam taxas
de seroconversão (incidentes), porque as doações de dadores de repetição,
que foram testados, pela primeira vez, com um teste de nova geração (com
sensibilidade aumentada) também foram incluídos nos dados. Os resultados
positivos destes casos reflectem mais a prevalência do que a incidência.
Para realizar estudos válidos e comparáveis são necessárias definições
claras e uniformes, não só dos dadores mas também dos diferentes métodos
de estimativa dos riscos residuais (12, 13). Para se poder tirar conclusões
sólidas sobre os riscos de transmissão viral através do sangue e derivados,
os estudos a realizar no futuro deverão medir idealmente: (i) a taxa de
seropositividade confirmada nos dadores de primeira vez e nos candidatos
a dadores, como uma medida de prevalência na população dadora recrutada
pelo sistema de doação (6,13), (ii) as incidências nos dadores de primeira
vez e de repetição e o intervalo entre doações em que dador seroconverteu,
para estimar o risco resultante de uma ou mais doações feitas durante
o período de janela (11,13), e (iii) a taxa total de doações
positivas confirmadas para estimar o risco de erro de deixar
passar uma unidade positiva (14). Os próximos estudos da AEFP tentarão
levar em conta todos estes parâmetros
A Comissão Europeia (15,16) e os Estados Unidos (6) têm salientado, recentemente,
a necessidade dum sistema de vigilância para coligir e analisar os dados
epidemiológicos do rastreio. O desenvolvimento e a adopção de um tal sistema
normalizado, para a recolha e interpretação de dados, é essencial ao fornecimento
de evidências nas quais se poderão basear futuras estratégias para aumentar
a segurança do sangue e derivados do plasma. Ao sistema de vigilância
deverá estar ligada a avaliação de riscos associados a doações remuneradas
(6, 17) e de métodos de selecção dos dadores (15). O estudo apresentado
identifica diferenças entre as taxas de marcadores virais das organizações
individuais. Estas diferenças, quando analisadas à luz das estratégias
de selecção e recrutamento de dadores, pode ser útil ao desenvolvimento
de políticas mais efectivas. Em conclusão, os dados actuais sugerem que
o risco de infecção por doações de dadores não remunerados de sangue e
plasma é baixo e está a decrescer. Melhorias suplementares na vigilância
dos dadores trarão maior transparência às estimativas dos riscos residuais
e permitirão medir a efectividade e benefícios das iniciativas actuais
e futuras, para a segurança transfusional baseada em evidência científica.
não lucrativa significa que as organizações não têm accionistas
com interesse financeiro ou participação nos lucros. Todo o lucro é guardado
ou reinvestido nos projectos, na investigação ou em qualquer outra actividade
de interesse público geral.
Agradecimentos
Agradecemos particularmente aos bancos de sangue que forneceram os dados
notificados e ao Dr. WP Schaasberg (Amsterdam) pela consultoria estatística.
Appendix : EPFA Working Group on Quality Assurance:
Dr B Flan, Laboratoire Francais du Fractionnement et
des Biotechnologies, Lille, France;
Dr A Gardi, Zentrallaboratorium Blutspendedienst SRK, Bern, Switzerland;
Dr A Hoburg, DRK Blutspendedienst Institut Hagen, Hagen, Germany;
Mrs BW Knudsen, Statens Serum Institut, Copenhagen, Denmark;
Dr J Koistinen, Finnish Red Cross Blood Transfusion Service, Helsinki,
Finland;
Dr R Laub, Departement Central de Fractionnement, Croix-Rouge de Belgique,
Brussels, Belgium;
Dr H Mohr, DRK-Plasmaverarbeitungsgesellschaft, Springe, Germany;
Dr R Perry (chairman), Scottish National Blood Transfusion Service, Edinburgh,
Scotland;
Dr C vd Poel, for the Central Laboratory of the Netherlands Red Cross
Blood Transfusion Service, Amsterdam, The Netherlands;
Dr T Snape, Bio Products Laboratory, England.
Author for correspondence:
Dr Konstanze Müller-Breitkreutz
European Plasma Fractionation Association
PB 9190
1006 AD Amsterdam, The Netherlands.
Telephone: +31-20 512 3561
Fax: +31-20 512 3559
email: T.Evers@epfa.nl
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