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Contexto
Dentro da União Europeia (UE) alargada, os movimentos
de pessoas, animais e produtos alimentares em larga escala contribuíram
de forma exponencial para a possibilidade da disseminação
de doenças transmissíveis. A UE obteve um mandato para acções
a nível da saúde pública apenas em 1992, sob o Tratado
da União Europeia ("Tratado de Maastricht"), o qual foi
alargado em 1997 com o Tratado de Amesterdão.
Embora todos os países da UE possuam os requisitos
estatutários para a notificação de doenças
transmissíveis, as práticas nacionais e regionais de vigilância
das doenças transmissíveis variam consideravelmente (1).
Para harmonizar estas actividades, foi estabelecido, em 1998, o Comité
da Rede (NC) para a Vigilância Epidemiológica e Controlo
das Doenças Transmissíveis na UE (2).
Existe uma grande variação na formação
em epidemiologia de saúde pública disponível nos
serviços públicos e em instituições académicas
dos países da UE, bem como grandes diferenças na capacidade
de resposta a ameaças de doenças transmissíveis,
a nível nacional (3,4). Até muito recentemente, a Europa
não podia fornecer uma resposta coordenada para a investigação
e controlo das principais doenças transmissíveis que ocorriam
a nível internacional. Globalmente, existe uma importante carência
de profissionais, com formação idêntica, que possam
garantir um nível elevado de protecção da saúde
humana.
Antecipando estas necessidades de formação,
foi iniciado em 1995 o Programa Europeu de Formação em Epidemiologia
de Intervenção (EPIET), um projecto de cooperação
entre os 15 estados membros da União Europeia e a Noruega. Neste
artigo, é descrita a evolução do programa EPIET,
os resultados alcançados até à data e o respectivo
papel no recém criado Comité da Rede.
Programa EPIET
O EPIET é um programa de estágio com a
duração de dois anos, que proporciona uma formação
e experiência práticas em epidemiologia de intervenção
nos centros nacionais de vigilância e controlo das doenças
transmissíveis, na UE e Noruega (a partir daqui referida como UE).
Os objectivos do programa são:
- reforçar a vigilância das doenças infecciosas
nos Estados Membros da UE e a nível comunitário;
- desenvolver a capacidade de resposta, a nível nacional e comunitário,
no combate às ameaças das doenças transmissíveis,
através de uma investigação de campo e de um controlo
rápidos e eficazes;
- desenvolver uma rede europeia de epidemiologistas de saúde
pública que utilizem métodos normalizados e partilhem
objectivos comuns;
- contribuir para o desenvolvimento da rede de vigilância e controlo
das doenças transmissíveis a nível comunitário.
O EPIET é um projecto financiado pela Comissão
Europeia e pelos Estados Membros da União Europeia.
Selecção dos participantes
O EPIET destina-se a médicos, microbiologistas
e veterinários da UE com experiência em saúde pública
e interesse na epidemiologia das doenças infecciosas. Idealmente,
após a conclusão da formação, os candidatos
deverão prosseguir uma carreira que irá contribuir para
a rede europeia de epidemiologistas de saúde pública.
Em cada ano, são anunciados oito a dez vagas.
Todas as candidaturas são recebidas pelo departamento do Programa
EPIET, ordenadas de acordo com a nacionalidade e, em seguida, são
encaminhadas para um instituto designado no país de origem do candidato
(tabela 1). Estes institutos seleccionam e ordenam até um total
de quatro candidatos entre os candidatos nacionais; a partir de uma lista
dos locais de formação do EPIET, os candidatos incluídos
nesta lista seleccionam dois centros de formação que pretendam
frequentar. Os potenciais centros de formação recebem o
curriculum vitae do candidato, ordenando-os de acordo com a respectiva
preferência. Um painel, constituído pelos representantes
de pelo menos cinco países participantes, efectua a selecção
final e determina as colocações dos candidatos bem sucedidos.
Normalmente, as colocações não serão efectuadas
no país de origem dos candidatos. Os institutos escolhidos para
receber participantes do EPIET são institutos com responsabilidades
nacionais na vigilância das doenças transmissíveis,
na epidemiologia e no aconselhamento em saúde pública. Os
critérios de selecção para o local de formação
incluem uma avaliação do potencial do centro para a prática
da epidemiologia de intervenção e a qualidade da supervisão
da formação disponibilizada aos participantes.
Tabela 1. Institutos participantes no EPIET (em Fevereiro
de 2001)
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Country
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Participating Institute
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Austria
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Bundesministerium für soziale Sicherheit und Generationen
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Belgium
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Institut Scientifique de Santé Publique - Louis
Pasteur
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Denmark
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Statens Seruminstitut
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Finland
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National Public Health Institute
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France
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Institut de Veille Sanitaire
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Germany
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Robert Koch-Institut
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Greece
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National Centre for Surveillance and Intervention
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Ireland
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National Disease Surveillance Centre
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Italy
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Istituto Superiore di Sanità
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Norway
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Statens Institutt for Folkehelse
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Portugal
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Instituto Nacional de Saúde
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Spain
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Instituto de Salud Carlos III
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Sweden
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Swedish Institute for Infectious Disease Control
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Netherlands
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Rijksinstituut voor Volksgezondheid en Milieu
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United Kingdom
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Communicable Disease Surveillance Centre Northern
Ireland
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Scottish Centre for Infection and Environmental
Health
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PHLS Communicable Disease Surveillance Centre
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PHLS Communicable Disease Surveillance Centre Wales
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Programa de formação prática
Cerca de 90% do estágio de dois anos é
ocupado na formação prática, no centro de formação.
Para que o participante seja totalmente integrado no centro de formação,
são necessários bons conhecimentos do idioma local na área
de trabalho, os quais podem ser adquiridos no início da formação
através de cursos intensivos.
Além das diversas tarefas práticas gerais,
espera-se que cada participante adquira experiência prática
em três áreas: (1) Concepção e/ou avaliação
de sistemas de vigilância, (2) investigação de surtos
de doenças infecciosas e (3) execução de projectos
de investigação na área de saúde. Os participantes
deverão igualmente desenvolver capacidades de comunicação
(interacção com os meios de comunicação social,
apresentações científicas, publicações
em boletins e jornais científicos) e participar em actividades
de ensino e de formação.
Módulos de formação
Cerca de 10% do estágio é ocupado por cursos
de formação formais.
O estágio do EPIET começa com um curso
de introdução de três semanas sobre a epidemiologia
das doenças infecciosas, que decorre durante o Outono em Veyrier-du-Lac,
França. Este curso apresenta conferências sistemáticas
sobre epidemiologia aplicada, estudos interactivos de casos, exercícios
práticos em pequenos grupos e o desenvolvimento de um protocolo
de estudo baseado num problema de saúde pública actual num
país da UE.
Durante os restantes 23 meses, são efectuados
nos institutos participantes quatro a cinco cursos, com a duração
de uma semana (módulos), nas áreas da comunicação,
vacinação, vigilância, estatística avançada
e métodos de avaliação rápida em situações
de urgência. Os participantes são igualmente encorajados
a frequentarem cursos apropriados organizados no país anfitrião.
Duas vezes durante o período de formação
de dois anos, os participantes reúnem os antigos alunos e colegas
dos centros de formação num seminário científico
anual do EPIET, onde apresentam artigos que descrevem os resultados dos
vários serviços e das actividades de investigação.
Apoio e supervisão da formação
A supervisão local no centro de formação
é o principal factor determinante da qualidade da formação,
sendo esta executada por um supervisor designado, que poderá gastar
10% ou mais do tempo a supervisionar um participante. O participante e
o supervisor têm a responsabilidade de garantir que os objectivos
da formação do EPIET e os objectivos pessoais de aprendizagem
relacionados com a carreira do participante são alcançados.
É fornecido um apoio suplementar pelos dois ou três coordenadores
do programa de formação, que se encontram disponíveis
para o aconselhamento a todos os participantes.
Durante o estágio, um coordenador do programa
EPIET em conjunto com um supervisor e um participante no EPIET, dos diferentes
institutos que colaboram no programa, efectuarão uma apreciação
do local de formação. Durante um dia, irão rever
de forma sistemática o ambiente do local de formação
e as actividades de formação do participante do EPIET e,
em seguida, irão efectuar recomendações sobre a forma
de melhorar a formação. Os resultados da visita são
resumidos num relatório de apreciação formal disponibilizado
a todos os institutos que colaboram no programa; esse relatório
é revisto durante as visitas de acompanhamento.
Resultados do programa
Até à data (Fevereiro de 2001), entraram
no programa EPIET (n=51) ou no programa alemão FETP (baseado no
EPIET) (n=11) um total de 62 participantes (4). Actualmente, 43 participantes
concluíram a formação, enquanto 19 continuam ainda
em formação. A Figura 1 apresenta o número de participantes,
de acordo com o país de origem e país de formação.
Figura 1. Número de participantes do EPIET
(n=62), por país de origem e país onde efectuaram a formação
(em Fevereiro de 2001)

A idade média dos 51 participantes no EPIET, no
momento em que entraram no programa, é de 35 anos (variando dos
26 aos 46 anos). Quarenta e um (80%) participantes possuíam qualificações
médicas, 6 eram veterinários (12%); houve ainda um biólogo,
um farmacêutico, um sociólogo e um investigador. Trinta e
três (65%) participantes possuíam um "Masters"
ou um grau superior numa área relacionada com a saúde pública
(MPH, MSc, PhD); 27 (53%) tinham trabalhado fora do respectivo país
durante períodos de tempo variáveis, antes de iniciarem
o programa.
Entre os 36 participantes do EPIET dos primeiros quatro
grupos, 33 obtiveram uma colocação onde puderam aplicar
e desenvolver ainda mais os conhecimentos e capacidades adquiridos. Vinte
participantes obtiveram emprego em institutos nacionais ou regionais no
país de origem, quatro num centro com responsabilidade na vigilância
europeia ou supranacional e cinco no local onde receberam a formação.
Outros quatro participantes alargaram a formação para obterem
a acreditação de especialista.
A presença de um participante no EPIET constituiu
um estímulo para que todos os institutos desenvolvessem ainda mais
as ligações com outros institutos que colaboram no programa
dentro da UE, e para melhorarem a capacidade de resposta a surtos dentro
das fronteiras nacionais (4). Os supervisores envolvidos no EPIET adquiriram
uma experiência útil numa grande variedade de materiais e
técnicas de formação, e a actividade criou elos entre
os epidemiologistas seniores de doenças infecciosas de diferentes
países da UE. Isto conduziu cada vez mais a uma abordagem unificada
da vigilância das doenças transmissíveis, da epidemiologia
de intervenção e da investigação em saúde
pública.
Actividades e sucessos da formação
Desde o primeiro curso de preparação efectuado
em Novembro de 1995, os participantes têm estado activamente envolvidos
na avaliação ou desenvolvimento dos sistemas nacionais de
vigilância, por exemplo, para a doença dos Legionários,
tuberculose, poliomielite, triquiníase, infecção
pelo VIH em toxicodependentes, hepatite B, doenças sexualmente
transmissíveis, Escherichia coli produtora de verotoxina
(VTEC), surtos de infecções de transmissão hídrica
e efeitos adversos das vacinas.
Os participantes estiveram igualmente envolvidos na comparação
dos dados de vigilância provenientes de diferentes países
europeus, por exemplo, da infecção pela VTEC e o Síndroma
Hemolítico Urémico, febre Q, salmonelose, campilobacteriose,
listeriose esporádica e legionelose. Ao nível da UE, os
participantes do EPIET e respectivos colegas contribuíram para
as redes europeias, tais como o Grupo Europeu de Trabalho sobre a Doença
dos Legionários (EWGLI) e a Rede Internacional de Vigilância
dos Agentes Patogénicos Entéricos (ENTER-NET).
Os participantes investigaram muitos surtos de doenças
infecciosas, a nível local e nacional, mas estiveram igualmente
envolvidos na maioria das grandes investigações internacionais
efectuadas dentro da UE. Entre 1999 e 2000, foi investigado um total de
61 surtos de doenças infecciosas a nível nacional, com participantes
do EPIET no papel de investigadores principais ou auxiliares (tabela 2).
Tabela 2. Exemplos de surtos investigados por participantes
do EPIET (responsáveis ou investigadores auxiliares), a nível
nacional e da UE, em 1999 e 2000
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At national level
|
Legionellosis outbreak at a commercial fair in
Kapellen, Belgium, 1999
|
|
Stenotrophomonas maltophilia possibly related
to the potable water distribution system in an ICU of a Belgian
hospital, 1999
|
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Viral gastroenteritis in a health-resort, Finland,
December 1999
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Tularemia in Finland, 1999
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Community outbreak of Hepatitis A in Roubaix, France,
May 2000
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Salmonella panama in France, August – September
2000
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MRSA in a university hospital in Germany, March
2000
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Gastroenteritis in a nursing home due to Norwalk-like
virus, Brandenburg, Germany, March 1999
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Suspected waterborne outbreak of Norwalk virus
gastroenteritis in a hotel resort in Italy, July 2000
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Salmonella typhimurium: in coastal Norway,
February 1999
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A whirlpool associated outbreak of Pontiac fever
at a hotel in Northern Sweden, April 1999
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A foodborne gastro-enteritis outbreak caused by
Norwalk-like virus in 30 day-care centres,Sweden, March 1999
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Outbreak of Salmonella typhimurium PT 20
scattered throughout The Netherlands, October-November 1999
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Measles outbreak in a community with a very low
vaccine coverage in The Netherlands, July-December 1999
|
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Salmonella outbreak in a bakery in Northern Ireland,
June 1999
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Staphylococcus food poisoning outbreak in two wedding
receptions in Rhondda cynon Taff (South Wales), July 1999
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Meningococcal disease in schools in South Wales,
January -February 1999
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Legionellosis associated with a hotel in Cardiff,
Wales, 2000
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Acute endophthalmitis following cataract surgery
in a district hospital in Lanarkshire Health Board, Scotland
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At EU level
(cross-border investigations)
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Salmonella paratyphi B among EU tourists
returning from Turkey,1999
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Clostridium infection and deaths among intravenous
drug users, England, Scotland, Ireland, 2000
|
|
EU-wide outbreak of Salmonella typhimurium 204b,
2000
|
|
Meningitis W135 in pilgrims returning from the
Haj, 2000
|
Exemplos dos estudos de investigação efectuados
pelos participantes durante os dois anos da formação são
a investigação da carga de infecção (rotavírus),
os factores de risco para a infecção (VTEC, hepatite B,
enterovírus, hantavírus, doença meningocócica,
equinococose), os efeitos adversos da vacinação (doença
inflamatória intestinal) e o prognóstico clínico
(hepatite C).
Embora o foco principal de atenção do EPIET
seja a Comunidade Europeia, o programa respondeu com uma frequência
crescente a pedidos para a participação em países
não pertencentes à UE e em organizações das
Nações Unidas, especialmente a OMS. Alguns exemplos são
a investigação de surtos de grande importância internacional,
o desenvolvimento, implementação ou avaliação
dos sistemas de vigilância e outras actividades relacionadas com
a saúde pública (tabela 3).
Tabela 3. Missões internacionais (fora da UE)
em 1999 e 2000 nas quais cooperaram participantes do EPIET
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Outbreak investigations
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Influenza, Afghanistan, 1999
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Bacterial Meningitis, Sudan, 1999
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Viral meningitis, Romania and Moldova 1999
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S. paratyphi among tourists, Turkey, 1999
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Marburg virus, Democratic Republic of Congo, 1999
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Infants deaths following immunisation, Egypt, 2000
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Tularemia, Kosovo, 2000
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Suspected anthrax, Ethiopia, 2000
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Design, implementation, evaluation of surveillance
systems
|
Hurricane in Orissa State, India,1999
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Health event surveillance among Kosovar refugees,
Albania & Macedonia,1999
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Cholera surveillance, Mozambique, 2000
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Other activities
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Polio eradication programme, various countries,
1999
|
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Measles elimination programme, Sudan,1999
|
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Unsafe Injection Practices survey, Burkina Faso,
2000
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Assessment of neonatal tetanus status, Zimbabwe,
2000
|
Os participantes do EPIET participaram também
como consultores em cursos de formação, recentemente realizados
na Irlanda, Finlândia, Alemanha, Estónia, Noruega e Rússia,
assim como, através da OMS, na Índia, Tailândia e
Ucrânia.
Problemas para o futuro
Em 1999, cinco anos após o início, foi
efectuada uma avaliação externa do EPIET para ponderar em
que medida o programa atinge os objectivos definidos. Embora a avaliação
global do programa tenha sido favorável (5), a equipa de avaliação
identificou algumas áreas chave que necessitam de atenção:
financiamento sustentado a longo prazo, estabelecimento de normas claras
e validadas externamente em todos os locais de formação,
acreditação e a integração do EPIET na Rede
Europeia de Vigilância Epidemiológica e Controlo das Doenças
Transmissíveis.
Financiamento
Os estados membros têm lutado para financiar um
número crescente de postos de formação. Inevitavelmente,
isto poderá conduzir a um financiamento mais condicionado (financiamento
ligado a um país em particular, quer no envio de participantes
quer na capacidade de funcionamento como centro de formação)
e, por vezes, à exclusão de países com recursos financeiros
limitados. Recentemente, foram recusados candidatos excelentes, tendo
no entanto permanecido por preencher vagas de formação de
topo. Para o estabelecimento de uma rede europeia, é necessário
que todos os países tenham igual acesso ao programa, independentemente
da capacidade para efectuar contribuições financeiras.
A protecção da saúde humana necessita
de investimentos a longo prazo. Se pretendermos que o EPIET mantenha o
dinamismo no desenvolvimento de um quadro europeu eficaz de epidemiologistas
de intervenção, deverá ser classificado como um programa
sustentável e não como um projecto.
Normas validadas em todos os locais de formação
A qualidade da formação que pode ser proporcionada
pelos centros de formação é variável e o EPIET
deverá contribuir para o reforço das capacidades nas instituições
de formação mais fracas. Isto é essencial para a
construção de uma Rede Europeia eficiente sobre doenças
transmissíveis. As estratégias possíveis para o fortalecimento
desses locais incluem a colocação de antigos alunos, a permuta
de epidemiologistas seniores entre os vários centros de formação
do EPIET e sessões mais frequentes e dirigidas à especialização
do supervisor. A colocação de pessoal suplementar para o
reforço do centro necessitaria de novos mecanismos administrativos
e financeiros.
Acreditação
O conceito de epidemiologia de intervenção
tem sido desenvolvido, principalmente, através do Programa Epidemic
Intelligence Service (EIS) nos Estados Unidos da América (6).
Os EUA implementaram a formação em epidemiologia de intervenção
em 1951 (7). Desde essa data, formaram-se nesse programa mais de 2000
pessoas que contribuíram, posteriormente, para a saúde pública
nos EUA e noutros países.
Apesar da heterogeneidade da cultura, idioma e organização
dos cuidados de saúde na Europa, o EPIET adoptou com sucesso uma
abordagem de formação semelhante à do EIS. Mas, é
necessária a acreditação para garantir que os candidatos
de alto nível continuem a ser atraídos. Em troca, os candidatos
deverão esperar perspectivas de carreira que sejam, pelo menos,
tão atractivas como as dos programas de formação
académicos (8). Embora um programa de formação com
a duração de dois anos seja demasiado curto para conduzir,
de forma independente, à acreditação nacional ou
europeia, o período de estágio deverá ser reconhecido
como um passo em direcção à acreditação
nacional numa das disciplinas relacionadas. Actualmente, apenas a Irlanda
e o RU possuem esquemas de acreditação relevantes, contando
o estágio no EPIET como um passo em direcção à
acreditação na medicina de saúde pública.
São necessários acordos semelhantes nos outros países
membros ou ao nível da UE.
Rede
Os objectivos do Comité da Rede da UE e do EPIET
apresentam uma elevada complementaridade. O desenvolvimento de uma vigilância
em toda a Europa, o alerta precoce e a capacidade de reacção
rápida exigem epidemiologistas de doenças transmissíveis
competentes, com uma abordagem comum à epidemiologia de intervenção
e a partilha de uma perspectiva europeia. Agora, é necessário
o desenvolvimento de uma visão a longo prazo comum ao EPIET e ao
Comité da Rede para garantir que estas necessidades possam ser
totalmente cumpridas.
Agradecimentos
Os nossos agradecimentos a todos os supervisores de formação
do EPIET, assim como aos departamentos dos centros participantes envolvidos
no programa, pelo respectivo trabalho e apoio contínuo ao EPIET:
Dr Helga Halbich-Zankl, Dr Reinhild Strauss (Áustria); Dr Godfried
Thiers, Mrs Solvejg Wallyn, Dr Carl Suetens, (Bélgica); Dr Else
Smith, Dr Tove Ronne (Dinamarca); Dr Hanna Nohynek, Dr Pekka Nuorti (Finlândia);
Prof Jacques Drucker, Dr Jean-Claude Desenclos, Dr Henriette de Valk (França);
Dr Andrea Ammon, Dr Thomas Breuer (Alemanha); Dr Bernhard Schwartländer;
Dr Iannis Tselentis (Grécia); Dr Darina O'Flanagan (Irlanda); Dr
Donato Greco, Dr Stefania Salmaso, Dr Giuseppe Salamina, Dr Ciofi Degliatto
(Itália); Dr Preben Aavitsland (Noruega); Dr Guilherme Gonçalves,
Dr. Maria Teresa Paixão (Portugal); Dr Juan Fernando Martinez Navarro,
Dr Dionisio Herrera (Espanha); Prof Johan Giesecke, Dr Karl Ekdahl (Suécia);
Dr Jacob Kool, Dr Mark Sprenger, Dr Marina Conyn Van Spaendonck (Holanda);
Dr Elizabeth Mitchell, Dr Brian Smyth (RU, Irlanda do Norte); Dr Peter
Christie, Dr John Cowden (RU, Escócia); Dr Sarah O'Brien, Dr Mike
Catchpole, Dr Christopher Bartlett (RU, Inglaterra); Dr Roland Salmon,
Dr Meirion Evans (RU, País de Gales); Dr Guenael Rodier, Dr David
Heymann (OMS Genebra); A Comissão Europeia
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